André Jesus

Uma coisa do além.

Estou absolutamente cansado do meu vocabulário. Mas o mundo dos solilóquios tem destas coisas. Todas e quaisquer formas de triângulos e números que se juntam em torno de toda esta matemática moderna que me domina e decapita brutalmente em simultâneo a maioria das cabeças das nossas recentes gerações são perfumes extraídos de um raro estrume. Há cada vez menos cérebro para tudo. O que se faz e acontece e o que se vive e se morre, pertence agora a um pornográfico reality show fundamentado em prostitutas e prostitutos que realmente nunca chegaram a perceber a dor erótica de um joelho a sangrar. Mas aparentam coisas absolutamente diferentes. A pobreza de espírito é uma etnia que me faz sentir absolutamente racista, porque nem tudo o que a tolerância diz sobre a tolerância é verdade. Eis a minha justificação porque não tenho escrito. Todos nós temos a capacidade de justificar o motivo pelo qual não respiramos certos cenários. Não há plateia possível para os meus dedos. Cada vez mais tenho menos capacidade de argumentar sobre sensações e partilhar moralismos sem nome. Moralismo de aventura e de gestos! Agora há tantas mensagens partilhadas com gatinhos e outras coisas que brilham a fazer de background, que revelam assuntos de guerra e de vida, mas as pessoas que as partilham esquecem-se do seu significado segundos depois. Julgam-se voluntários e bons entendedores do 3º Mundo e esquecem-se que a felicidade não vêm de objectos. Tenho a sensação que cada vez mais as pessoas fazem coisas que de uma forma anormal a sua consciência diz-lhe que é aquilo que gostam. Nada mais se faz com paixão ao ritmo de um cowboy com uma cobra nas botas. Há bem pouco atrás as coisas viviam-se de outra forma. E há muito bem mais tempo atrás de uma outra melhor forma se diz que se vivia. Aquele que escreveu que nenhum Homem é uma ilha deserta não se enganou. Mas também não acertou. Por uma questão de equilíbrio do mundo. É no erro onde a ruptura encontra significados. Só o Homem mais solitário do mundo pôde descobrir certas ciências que mudaram o rumo da história. Hoje em dia já poucos se amarram a sentimentos como se não existisse amanhã. Por vergonha ou inteligência. A malta julga que sabe demais sobre certas coisas e não se aventura. Tudo o que “pensa” não tem necessariamente de existir.  Hoje em dia não se ignoram gritos de consciência nascidos de novos horizontes que se propagam sem remédio mas ignoram-se os mares e as guerras: o significado de sobrevivência e de vida com aquele sabor a tudo menos ofuscante. Os olhos hoje comem em demasia. Perdem-se no cosmos sentimentos que antigamente num dia menos brilhante pelo menos orbitavam à volta do nosso oxigénio. À espera de uma vaga de ar que os levasse aos pulmões para ser gritada. Hoje já não se grita. Já nada se move por nada. Tudo fica como estátuas. O que raio defende esta nova geração? Porque direitos lutam? Por quais lutarão as próximas? Comovo-me ao tentar compreender. Ninguém quer ser incomodado pelas tragédias e pelas consequências que regulam o planeta, o importante é a loucura frenética pelas trivialidades que só nos fazem entrar em ciclos de mutações inconstrutivas. As minhas palavras representam na maioria das vezes, ou então não, episódios de loucura utópica. E a minha capacidade de organizar textos está cada vez mais perdida. Hoje faço anos. Obrigado.

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Hoje

Piano loverQuero tocar uma canção para ti inspirado na melodia dos teus pés descalços.

Qual inspiração ?!

Eu considero que as primeiras trinta milhões de palavras no mundo da escrita e da literatura são sempre a brincar. São como uma novidade facisnante que torna as coisas belas pela sua inocência. Portanto viver na incógnita e no erro à espera que coisas mágicas aconteçam faz de nós um sorriso que liberta um confuso sentimento num ciclo vicioso: Adeus tempestade, olá azul! Adeus azul, olá tempestade. A motivação é o oxigénio dos dias. Somos todos coisas loucas em hibernação de sentimentos. Que a hemorragia de ignorância continue a sair-nos do corpo! Para que o Homem seja uma aventura e não seja uma ilha deserta. Não um ópio que não motiva. Não uma toxina libertada por um processo de derrota em combates diários perdidos. A inspiração é uma mutação de expressões que acontece por opção ou por loucura. Há quem tenha a sua inspiração a hibernar desde sempre. Combatividade meus senhores e minhas senhoras! É essa a palavra de ordem para hoje. Um assunto que tem os seus momentos de adrenalina e de calados desesperos. Um choque! Tudo nasce do choque! E este texto é sobre quê? Absolutamente nada! Agora corram em direcção aos mares e sintam-se. Até amanhã!

Brave

Alucinações,

O respirar dos caminhos nas estórias de amor apresentam-nos sempre gritos de todas as espécies. O amor é uma emoção nómada e selvagem como os meus dedos são músculos que se movem para te desenhar com palavras. Não quero perder o amor por ti na inocência trivial do passar dos dias.

De que forma toda essa coisa dos anos novos faz sentido?

Sobre a madrugada do primeiro dia do ano: sei que estive, de uma maneira absolutamente ofegante e voluntária, a nadar até muito para além das horas do amanhacer. Uma anormal e vertiginosa provocação à guerra dos dias e das noites e do sol e da lua e de todas essas coisas que se julgam diferentes umas das outras mas que significam o mesmo. Sol e lua, são criaturas que nos esmurram a cara todos os dias como uma realidade natural que não magoa por culpa da sua beleza. No entanto existem dores, tal como todas as outras coisas boas ou menos boas, que não diminuem com o passar dos sóis e das luas. Apenas se disfarçam. O tempo passa e muitos rostos e histórias se vão invariavelmente desfragmentando. Tudo é um rosto. Tudo se cura por detrás de uma máscara mágica. É com este espirito que quero encarar tudo o que me vai atravessar à frente este ano e o próximo: com magia. Quero ver até aonde chegam os meus nervos fora da caverna que tenho habitado e despertado nos últimos dias ao som de uma melodia que transpira aquilo que foi um ano em que perdi muitas batalhas. Fui morlock e eremita e ao mesmo tempo um lunático apaixonado por um amor sem definição. A inocência é uma ignorância, mas não todos os dias. Por isso a inocência não é uma tragédia: antes de perguntares quem sou eu pergunta-te de onde vens tu. Descobre se entre mim e ti existe realmente uma amizade ou duas e meia. Descobre-me da mesma maneira que eu te descubro todos os dias sem te tocar. Uma das minhas virtudes é gostar dos meus amigos e depois de mim. Outra das minhas virtudes é gostar de ti e depois de ti. Não tens muito por onde escolher. De que forma toda essa coisa dos novos anos faz sentido? Coisas nova aparecem de repente como se fossem um segredo há muito escondido. Há pesadelos que se repetem ao longo do tempo. E durante todo esse processo a nossa mente transpira uma música que nos melga os ouvidos constantemente. Ora anotem por favor:

Just like a woman,

Womens

Uma flôr absolutamente caída fora do seu contexto. No entanto de beleza erguida. Como uma mulher: aquilo que mais equilibra a velocidade do carrosel miserável que agarra os homens, perdidos e não achados, que desejam a uma dada confusa altura da suas vidas andar aos gritos e em círculos loucos. Qualquer um de nós precisa do seu momento rebelde. São elas o ar sentimental que respiro, aquilo que mais me dá pedra.

 

O Desafio

Challenge

Não estou aqui para improvisar sentimentos de coragem. Isso é para os inventores e para os magistrais, gente com reutilizáveis vertiginosas capacidades de imaginação criativa. A minha missão é outra. Estou aqui para enconrajar os vossos dias, imortalizar ideias. A única diferença entre a larva e a borboleta são as assas, a diferença entre o estético agradável e o estético sedentário são os sonhos e os acontecimentos. Os meus dedos significam a metamorfose, as minhas palavras um estado de mutação constante: há muito tempo que tinha perdido o gosto pela escrita e por toda esta atmosfera, mas nunca pelo humanismo. Existe uma série de coisas que para mim não são um desafio, o tempo tem vindo a educar e a envelhecer os meus actos e tornou certos mistérios simplesmente respostas. É um desafio para mim abraçar os vossos sentidos e notáveis emoções a um ritmo que se vai infiltrando aos poucos nas veias. Ritmo esse bombeado por dois ventriculos: o esquerdo está há muito tempo apaixonado pelo direito, namoram e por isso sangue e ar são um só ritmo único! Sozinho sou uma larva com um corte profundo na carótida, juntos somos borboletas revolucionárias. A um ritmo de ar e sangue bombeado vamos discutir e gritar sobre o mundo e as cores das nossas assas. Apertem os vossos cintos e façam expressões corporais,  olhem o desafio nos olhos como este cavalo fez: o estranho de dois pés ali era eu, e o de quatro patas era ele. Quantos passos irão voçês dar aqui?!

O canto dos nossos palcos

Sou um tipo de personagem habituada a cenários onde desconheço o absoluto da missão das minhas linhas e palavras. Este blog é um êxito fulminante só apenas da paixão transpirada em todos aqueles campos da aventura que precorremos pela curiosidade que nos despertam os riscos. Vertiginosos ou ofegantes, ou nenhum destes adjectivos, são eles os que nos libertam da prisão do canto dos nossos palcos: barreiras que construimos para nos sentir-mos intocáveis, um reflexo das nossas escolhas que fazem quase obrigatoriamente parte da fisionomia estratégica dos ambientes que orbitam em torno de nós. Organizêmo-nos! Ao invês de organizámos níveis estranhos de relações, paixões e loucuras. Hoje distinguimos palavra amigo de conhecido. Queremos todos ser estrelas e inventores. Aqui é um outro lugar. Somos todos tocáveis. Onde a distância entre as coisas não se mede através da ciência dos kilómetros mas através da ciência dos loucos astros de paixão que esses kilómetros transpiram. Tudo se resume a paixão, a única articulação dos gestos e dos movimentos e das cartas de amor. Somos todos uma representação de viagem constante, uma imaginação, utopia e um grito que se expressam através de emoções sempre inocentes. Todos os cenários, caras, aventuras e gestos são magistrais e consideráveis. Não existem barreiras entre nós. Tudo significa. Este é um lugar vagabundo onde o tempo não tem regra mas significa: fala do futuro e do passado como se tudo fizesse parte de um estranho presente habitado por todos os corpos celestes. Sejam bem-vindos ao vosso lugar.